Casas Pré-Fabricadas ou modulares: uma solução para a habitação permanente?
O aumento do preço da habitação tem levado muitas famílias a procurar alternativas à construção em alvenaria tradicional.
Para quem já possui um terreno, as casas pré-fabricadas e modulares podem surgir como uma possibilidade para conseguir construir uma habitação a um custo aparentemente mais acessível e num prazo potencialmente mais curto.
Existem diferentes sistemas construtivos, desde estruturas de madeira ou metálicas a sistemas de painéis pré-fabricados ou módulos produzidos em fábrica e posteriormente montados no terreno, com diferentes níveis de pré-fabricação e diferentes características, custos e exigências.
Existem também já muitos conteúdos disponíveis sobre os prós e contras deste tipo de construção. Como podemos ver, por exemplo, neste artigo do idealista: link. No artigo, são abordadas questões como o preço, o tempo de construção, a possibilidade de personalização, mas também alguns dos custos e condicionantes que podem surgir quando a casa passa do catálogo para o terreno.
Para a Logikevidence, existe uma questão que deve ser colocada antes dessa discussão sobre as vantagens e desvantagens de viver numa casa pré-fabricada ou modular.
como podemos ajudar a que sejam tomadas as decisões certas desde o início do processo?
É importante perceber que o processo não termina quando encontramos uma casa pré-fabricada ou modular com um preço que conseguimos financiar. O preço da casa é apenas uma parte do investimento necessário para criar uma habitação, para isso, é necessário analisar, entre outros:
Enquadramento urbanístico;
Uso habitacional e viabilidade da construção;
Implantação permitida e área de implantação do modelo a escolher;
Afastamentos e alinhamentos;
Índices e parâmetros urbanísticos aplicáveis;
Área de construção, área bruta e área útil;
Número de pisos e cércea permitida;
Dimensões mínimas dos compartimentos;
Espessura e características das paredes e restantes elementos construtivos;
Acessibilidade e condições de circulação;
Acessos e estacionamento, quando aplicável;
Infraestruturas existentes, como água, eletricidade e saneamento;
Servidões, restrições e outras condicionantes;
Regulamentação municipal e instrumentos de gestão territorial aplicáveis.
Assim, respondendo à pergunta inicial: sim, as casas pré-fabricadas e modulares podem ser uma solução para a habitação permanente, mas não significam um processo menos moroso ou uma solução significativamente mais económica.
Em alguns dos pedidos que tivemos oportunidade de analisar, tratava-se de casas térreas pré-fabricadas ou modulares, entre T2 e T3, cuja área de implantação pretendida não era compatível com os parâmetros urbanísticos dos terrenos em causa. Nestas situações, a redução da área pode comprometer a adequada legislação sobre o dimensionamento da habitação, enquanto o aumento da área pode ultrapassar a implantação permitida no terreno. Quando esta incompatibilidade só é detetada depois de escolhida ou adquirida a casa, estamos perante um problema que pode ser muito difícil, ou mesmo impossível, de legalizar.
Na LogikEvidence, entendemos que o mais importante é avaliar cada situação de forma integrada, desde o terreno e o seu enquadramento urbanístico até à solução construtiva e ao respetivo processo de projeto.
Uma solução de habitação deve ser pensada para o terreno e não apenas escolhida a partir de um catálogo.